terça-feira, 28 de agosto de 2012



“Sempre me sinto feliz, sabes por quê? Porque não espero nada de ninguém. Esperar sempre dói. Os problemas não são eternos, sempre têm solução. O único que não se resolve é a morte. A vida é curta, por isso, ame-a! Viva intensamente e recorde: 
Antes de falar… Escute!
Antes de escrever… Pense!
Antes de criticar… Examine!
Antes de ferir… Sente!
Antes de orar… Perdoe!
Antes de gastar… Ganhe!
Antes de render… Tente de novo!
ANTES DE MORRER… VIVA!"                                                                                                                                                                           
(Shakespeare)


quarta-feira, 9 de maio de 2012

A pessoa egoísta


A pessoa Egoísta - O "dono do mundo"

  
*Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari*

 


*as respostas estão registradas de acordo com a Lei dos Direitos Autorais
Direitos autorais de Olga Inês Tessari


 
Publicada na Revista Coop
setembro/2006


 Fonte: site da Psicóloga e Escritora Olga Tessari:www.ajudaemocional.net

1) O "dono do mundo" pensa que tudo pode, é egocêntrico e arrogante. Como ele surge? Essa característica decorre da educação que a pessoa recebeu dos pais? Quem é esse sujeito?

Dra Olga Inês Tessari: Ao nascermos, "pensamos" que o mundo gira ao redor de nossas vontades, pois quando queremos algo basta chorarmos, que lá vem a mamãe saber o que está acontecendo e agir no sentido de fazer-nos parar de chorar.Uma pessoa que chega à fase adulta pensando que pode tudo, certamente foi educada dentro de um lar onde sempre acabava por conseguir tudo o que queria: pode ser o caso do filho que não aprendeu a lidar com limites ou mesmo nunca teve limites impostos pelos pais que sempre satisfaziam as suas vontades. Sabe aquela criança que chora ou faz manha para conseguir o que quer e seus pais se deixam levar por estas "chantagens" e dão ao filho o que ele deseja?


 outras características que marcam a personalidade dessa pessoa?

Dra Olga Inês Tessari: É natural do ser humano querer o melhor para si mesmo, pensar em si próprio em primeiro lugar, querer satisfazer os seus desejos e vontades.  Como vivemos em sociedade, somos educados a buscar as nossas satisfações, mas sem prejudicar o próximo, se possível. Lembra aquele ditado popular que diz:  " a minha liberdade termina quando começa a do outro"? O "dono do mundo" não respeita o próximo, não se preocupa em saber se vai prejudicá-lo ou não, ele apenas pensa e age no sentido de conseguir tudo o que quer, tudo o que pensa e deseja e não aceita um não como resposta, quando aquilo que deseja depende da anuência de outra pessoa. Ele procura ter a sua volta pessoas submissas, tem prazer em liderar (subjugar seria a melhor palavra) até porque, como líder, faz com que as pessoas ajam de acordo com suas vontades.

 

3) Quando trabalhamos com pessoas assim como devemos agir? E quando são amigos? Como devemos lidar?

Dra Olga Inês Tessari: Realmente é difícil colocar limites numa pessoa que nunca aprendeu a lidar com eles. Se esta pessoa for a chefe então fica mais difícil ainda. Mas é preciso saber colocar limites, dizer ao chefe dos seus direitos, senão ele vai querer que você trabalhe como ele, que faça horas extras, que não almoce, por exemplo. Muitas pessoas acabam por pedir demissão por não suportarem a "ditadura" do chefe. Com relação a um amigo, o relacionamento com ele, em geral, acaba por ruir porque esta pessoa sempre vai querer que tudo seja como ela quer. Por exemplo, ela vai decidir aonde ir, o que fazer, como fazer, não aceitando alternativas e usando de artifícios, barganhas e chantagens para que os amigos façam o que ela quer.

 

4) Apesar desta pessoa se sentir melhor do que todos os outros, ele tem algum problema de auto-estima que o faz agir desse jeito?

Dra Olga Inês Tessari: Por pensar em si mesma em primeiro lugar, sua auto estima costuma estar num bom nível porque nunca se vê como a causadora dos problemas, sempre colocando a "culpa" nas outras pessoas.


 
5) Devido a este tipo de comportamento, ele encontra dificuldades na vida, como ser excluído, ser depressivo?

Dra Olga Inês Tessari: Claro que encontra muitas dificuldades na vida, porque vive em sociedade, porque as outras pessoas nem sempre vão aceitar, tal como os pais dela, que todas as suas vontades sejam satisfeitas, o que pode levar ao rompimento das relações. Pessoas assim costumam ser solitárias, muitas vezes por opção, por não aceitarem que os outros pensem dia. É possível que ela entre em depressão por não perceber que o erro está nela mesma pela dificuldade em aceitar um não como resposta e que é ela mesma quem afasta as outras pessoas de sua vida por causa do seu egocentrismo e arrogância.  

 

sábado, 21 de abril de 2012


O sentido da vida e a história pessoal
Dulce CritelliTexto publicado na coluna “Outras Idéias” , Folha Equilíbrio,
“Folha de São Paulo”, de 21 de abril de 2005

Há poucos dias a TV a cabo exibiu mais uma vez o filme “Tomates Verdes Fritos” (91), de Jon Avnet. Eu já havia assistido a ele uma dúzia de vezes, mas não resisti e o vi de novo. Fico encantada com as histórias que a velha senhora conta, talvez exatamente como a dona-de-casa do filme fica encantada. Fascina-me a maneira como a senhora recria sua vida na forma de uma história repleta de significados.
A maioria de nós é capaz de se lembrar de uma série de acontecimentos de sua vida. Mas todos esses episódios são tratados como acontecimentos separados uns dos outros. Qual seria o fio que ligaria todos eles e os tornaria parte de uma única história? Essa a grande dificuldade da maioria de nós: reconhecer qual a história que se formou em nossa vida enquanto passávamos de um acontecimento a outro.
A velha senhora do filme sabe reconhecer a sua história. Ela sabe perfeitamente qual foi a vida que viveu. Sabe a personagem que foi, quem foram seus parceiros, cúmplices e seus adversários e quais foram as graças e as adversidades que lhe vieram de encontro. Sabe, principalmente, que sua história poderia muito bem ter sido outra, não fosse o amor pela amiga Ruth. Esse amor que lhe deu chão, origem e destino, que foi o principal fio que juntou os eventos de sua vida, dando a eles um sentido. Juntou-os como um fio de ouro junta pérolas e forma com elas um colar.
Além disso, a velha senhora tinha a posse de um outro dom raro, o de fazer sua ouvinte ver a personagem que ela própria fora, exatamente como gostaria de ser vista por ela.
Enquanto dizia narrar a história de uma terceira pessoa (não revelou que essa pessoa era ela própria), tomou um certo distanciamento de si mesma e teve, assim, liberdade para observar-se no cenário de sua existência.
A cada dia lhe foi possível desenhar a personagem que ela julgava ter sido e, acredito, foi descobrindo “quem” ela mesma era e qual o “sentido” da sua vida.
“Quem sou eu?” e “qual o sentido da vida?” são as duas grandes questões que nos fazemos incessantemente. As questões que temos urgência de responder, pois carregam nelas a explicação desse misterioso fato de existirmos. O equívoco comum, é o de imaginarmos que a resposta a essas perguntas vitais estejam fora de nossa própria vida, da nossa história.
O nosso nascimento é o começo dessa história; por meio dele somos lançados num mundo com um corpo, um sexo, uma família, um nome, uma condição social, um país, uma época. O sentido ou o rumo da nossa vida já veio, de alguma forma, embrulhado nele. Não ganhamos o fim da história, que só virá com a morte, mas ganhamos o início e uma certa bagagem para seguir caminho.
É disso tudo que fala a velha senhora quando narra sua história. O fato de que nossa vida forma uma história e de que podemos agir sobre ela é o que a dona-de-casa gorda e sem motivação compreende. Ao ouvir a história da velha senhora, vai revendo a sua própria e vai descobrindo que não precisava ficar presa ao rumo dos acontecimentos, mas podia intervir nele, colaborar para sua destinação.
Não podemos agir satisfatoriamente sobre aquilo que não compreendemos. É na observação do caminho que temos feito, na observação de como temos respondido aos acontecimentos que vêm ao nosso encontro, que está a chave da construção dessa narrativa. Não podemos modificar os eventos da vida, mas podemos alterar os modos de vivê-los.
O que a velha senhora sabia é que o sentido da vida está na construção da história pessoal. E que, quando somos capazes de narrá-la, estamos a ponto de ter a plena posse de nós mesmos.

terça-feira, 17 de abril de 2012

ONDE ESTIVE, ENQUANTO VIVIA A MINHA VIDA

 Onde estive, enquanto vivia minha vida?Dulce CritelliTexto publicado na coluna “Outras Idéias” , Folha Equilíbrio,“Folha de São Paulo”, de 10 de julho de 2008
Não existe forma mais clara de perceber a passagem do tempo do que encontrar pessoas que há muito não se via. Meninos que, agora, são pais e mães. Jovens pais e mães que, agora, são senhores e senhoras. Crianças, de quem a última memória é da chupeta na boca, falando de seus trabalhos e dos seus projetos.
Um susto! Foi o que vivi no casamento da filha de uma prima, na semana passada. É claro que sei quantos anos tenho, marcados no meu registro de nascimento e na contabilidade dos calendários. Mas esse cálculo dos dias e dos anos está muito longe de qualquer experiência de tempo.
Há um contraste, na verdade, entre a percepção do envelhecimento e o sentimento de vida jovem que me habita. Estranho sempre que me chamam de senhora ou quando me vejo nos vídeos e nas fotografias. E estranho ainda mais quando os olhares sedutores que me alcançam, vêm de alguém com mais de cinqüenta anos.
Difícil, em circunstâncias como essas, não nos fazermos a pergunta angustiante sobre quanto tempo já vivemos e por quanto tempo ainda podemos durar. Porque o tempo a gente mede mesmo é com a própria vida. Existe tempo porque morremos e sabemos disso.
Alguns filósofos existenciais, como Heidegger,  consideram a morte, essa companheira secreta da vida, nosso destino. “O homem é um ser para a morte”, nos diz ele.  Eu, no entanto, acredito que ela é apenas uma contingência, uma condição do nosso ser.
O espanto com o tempo já sido, já passado, deveria funcionar como um lembrete que nos tirasse da distração de que algum dia sairemos de cena. Deveria ser um estímulo para escolhermos como é melhor viver ou como emprestar à vida a nossa própria cara. Em outras palavras, como queremos gastar o tempo vivo, não que temos, mas que somos.
É o próprio Heidegger quem afirma que o homem é um tempo que se esgota, que se emprega nisto ou naquilo, que se omite, que se retrai, ou que se desperdiça.
Talvez, então, não seja só e, justamente, a passagem do tempo o que nos assombra, mas a possibilidade de termos empregado mal o tempo da nossa existência, que é única e irrepetível. O receio de termos gasto nosso tempo com o que pouco importava, com besteiras, com o que não era do nosso próprio interesse.
Essa a maior inquietação em ver que o tempo passou: a percepção da inconsciência com que vivemos os acontecimentos da nossa vida e o medo de termos desperdiçado um tempo de ser, tão precioso.
Essa é, também, a razão de eu, muitas vezes, pensando no passado, me perguntar: onde estive enquanto vivi a minha vida?